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Sobrinha de Carlos César contratada pela câmara de Lisboa

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Sobrinha de Carlos César contratada pela câmara de Lisboa
Foto: Observador

Inês César foi contratada pela Gebalis. Trabalhadores contestam política de contratações. Sobrinha do líder parlamentar é mais um exemplo de familiares do PS na CML durante a era Costa-Medina.

Inês César, sobrinha de Carlos César, líder parlamentar socialista e presidente do PS, foi contratada pela Gebalis — empresa municipal responsável pela gestão de bairros sociais — para técnica especializada de Estudos e Planeamento, com um vencimento bruto de 1.521 euros mensais. Mais de 73% dos funcionários da Gebalis ganham abaixo desse valor. Inês César, socióloga de 25 anos, seguiu para a empresa municipal assim que acabou o contrato noutro cargo com o cunho do PS: a junta de freguesia de Alcântara, presidida pelo socialista Davide Amado, contratou-a como assessora durante o ano de 2016 por 15.960 euros (o que ronda os 1.330 euros mensais).

Maria Inês Rodrigues do Vale César terminou a licenciatura em Sociologia em 2013 pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. No seu Linkedin pessoal, até dá conta de que esteve dois anos na junta de freguesia de Alcântara como socióloga (2014-2016), mas — no Base, site referente à publicitação de contratos públicos — apenas há referência a um ano. O contrato de prestação de serviços com a junta de freguesia socialista foi feito em janeiro de 2016, publicado no portal Base no final de maio do mesmo ano e terminou em janeiro de 2017. A justificação do ajuste direto foi “aquisição de serviços de apoio ao licenciamento e espaço público”. No contrato, é referido ainda o apoio à “organização de eventos”. O contrato terminou a 11 de janeiro de 2017. Cinco dias depois, a sobrinha de Carlos César foi admitida na Gebalis.

A comissão de trabalhadores da Gebalis tem questionado as opções tomadas pela atual administração, liderada por Pedro Pinto Jesus — antigo adjunto de Duarte Cordeiro, vice-presidente da Câmara de Lisboa. Entre esses atos de gestão contestados estão contratações como a de Inês César. Trabalhadores ouvidos pelo Observador consideram que a socióloga foi escolhida “por ser do PS e da família César”. Além de sobrinha do líder parlamentar, os pais de Inês César estão também ligados ao Partido Socialista. O pai, o ex-jornalista Horácio César e irmão de Carlos César, foi assessor do ministro da Cultura, João Soares, até este sair do atual Governo de António Costa. Antes disso, desempenhou vários cargos de assessoria em governos do PS, nomeadamente como assessor e porta-voz de Jaime Gama. A mãe, Patrocínia César, é assessora do Grupo Parlamentar do Partido Socialista e faz parte do executivo da junta de freguesia do Lumiar, eleita nas lista do partido.

A nível interno da Gebalis, há comunicações da empresa a esclarecer que a “admissão [de Inês César] justifica-se pelo facto de ter ocorrido nomeação de um elemento do gabinete de estudos e planeamento para a direção da Direção de Intervenção Local e ter ficado em défice a prestação de um serviço fundamental de apoio técnico ao Conselho de Administração e às unidades orgânicas da empresa”.

A maior experiência de Inês César antes de chegar às entidades lideradas por autarcas socialistas passa, acima de tudo, pela área do marketing, já que, entre 2011 e 2015, foi brand promoter e brand ambassador (promotora de marcas e embaixadora de marcas) na empresa On Spot Marketing, tendo desempenhado funções similares na empresa Win World.

No mesmo dia em que Inês César iniciou funções na Gebalis, entraram dois engenheiros para a empresa: João Quintas Serrano (n.º 2 da lista do PS à junta de freguesia de São Cristóvão, Montemor-o-Novo, nas autárquicas de 2009) e Edgar Sousa. Entraram na empresa municipal para dar resposta ao acréscimo de trabalho na sequência do contrato-programa de 25 milhões de euros para requalificação que está a ser aplicado em 21 bairros.

Edgar Sousa e João Serrano têm um vencimento bruto de 1.279,50 euros (nível 4 da carreira C). Inês César tem um vencimento-base de 1.267,50 euros (que até é 12 euros inferior aos dos dois engenheiros), mas a esse valor acresce uma isenção de horário de trabalho no valor de 253,50 euros, o que faz com que tenha um vencimento bruto de 1.521 euros.

O Observador contactou a empresa detida pela da Câmara de Lisboa para esclarecer estas diferenças e perguntou diretamente — quer em questões enviadas ao cuidado de Inês César via Gebalis, quer em questões enviadas à administração da empresa municipal — se houve influência do PS na escolha, se houve concurso público, que tipo de contrato era, se era renovável, quais as circunstâncias da escolha, entre muitas outras perguntas. Obteve como resposta uma declaração única:

Desde 2008 que a Gebalis, EM, SA tem implementado um procedimento criterioso de recrutamento de pessoal, por concurso.

Os contratos individuais de trabalho, em vigor na empresa, cumprem todos os requisitos legais. Em matéria de recursos humanos importa ainda transmitir que a empresa cumpre igualmente com todas as imposições legais a que está obrigada, nomeadamente a Lei do Orçamento de Estado.

A Gebalis encontra-se sujeita ao código dos contratos públicos, cumprindo na íntegra todas as imposições do mesmo, pautando-se por uma política de boa gestão, responsabilidade, transparência e rigor.”

 

Nem mais uma palavra sobre o assunto. Inês César não respondeu às questões enviadas.

Fonte: Observador

 

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