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Vivem em liberdade? Muito devem a Mário Soares

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Vivem em liberdade? Muito devem a Mário Soares
Foto: Observador

O antigo chefe de Estado morreu este sábado aos 92 anos. Teve uma vida longa e repleta de lutas políticas. Para a História ficam frases mais ou menos polémicas - mas todas marcantes.

"Os jovens de hoje são os homens e as mulheres de amanhã. Falar de juventude significa voltarmo-nos para o futuro. E nós democratas não tememos o futuro porque acreditamos no caminhar da História."

Discurso "A juventude não está com o Estado Novo" numa sessão do Movimento de Unidade Democrática, novembro de 1946

"Que continuem os nossos adversários com os seus processos historicamente condenados. Que cheguem às mais degradantes violências, às piores injúrias. Que sejam até ao fim vítimas de si próprios, das suas próprias naturezas e instintos. Nós saberemos manter-nos, serenamente, corajosamente. A consciência nacional, por mais adormecida que pareça, nos julgará - a nós e a eles. E venceremos."

"Manifesto à juventude", março de 1947

"É evidentemente um grande dia. O essencial para nós é mantermos a unidade das forças democráticas. As Forças Armadas iniciaram o caminho para a realização da democracia e para pôr um termo à Guerra Colonial, mas é agora que todos os problemas, os grandes problemas que se põem à nossa Pátria, vão começar."

Chegada à estação de Santa Apolónia depois do 25 de abril de 1974

"O Partido Socialista já escolheu o seu campo desde sempre. O Partido Socialista é um partido de esquerda, quer instaurar em Portugal uma sociedade socialista, portanto uma sociedade sem classes, mas em liberdade, respeitando os Direitos do Homem, através da democracia e do consenso popular majoritário. Não fará uma revolução nem irá para um socialismo que transforme este país numa ditadura. E do que o Partido Comunista deu provas durante estes meses foi que quer transformar este país numa ditadura."

Debate com Álvaro Cunhal que motivou a famosa resposta de Cunhal "Olhe que não, olhe que não", novembro de 1975

“Para nós, o socialismo não é uma abstracção. Para nós, socialismo é dar trabalho àqueles que o não têm, e dar trabalho remunerado. Para nós, o socialismo é dar casa e encontrar habitações, construir habitações para aqueles que vivem nas barracas ou nos tugúrios. Para nós, o socialismo é libertarmos este nosso povo da angústia do dia de amanhã, aqueles homens que chegam a idade avançada e começam a pensar o que será deles e das famílias se se incapacitarem com a velhice ou com a doença.”

Campanha presidencial de 1976

"Não se trata agora de meter o socialismo na gaveta, mas de salvar a democracia."

1978, na tomada de posse do II Governo Constitucional, de coligação entre PS e CDS

"Sinto‑me liberto como um pássaro fora da gaiola."

À saída da reunião com o Presidente Ramalho Eanes, em 1978, em que o Governo que chefiava foi demitido

"A imprensa portuguesa ainda não se habituou suficientemente à democracia e é completamente irresponsável. Ela dá uma imagem completamente falsa.” 

A 21 de Abril de 1984, em declarações à revista alemã Der Spiegel.

“Não foi, de facto, com alegria no coração que aceitei ser primeiro-ministro. Não é agradável para a imagem de um politico sê-lo nas condições actuais.”

A 28 de Abril de 1984, em declarações ao Jornal de Notícias

“Não se fazem omoletas sem ovos. Evidentemente teremos de partir alguns”.

1 de maio de 1984, em declarações ao Diário de Notícias

Os problemas económicos em Portugal são fáceis de explicar e a única coisa a fazer é apertar o cinto”. 

A 27 de Maio de 1984, em declarações ao Diário de Not

“Dentro de seis meses o país vai considerar-me um herói”

A 6 de Junho de 1984

“Sou um homem de esquerda. Sou socialista. Mas, antes de ser socialista, sou democrata. E, antes ainda, sou português.”

"Soares", de Maria João Avillez (1997)

“O eleitorado infligiu uma severa derrota ao PS e, em especial, a mim próprio. Com humildade e realismo, assumo-a integralmente.”

O Jornal, 12 de outubro de 1985, depois das legislativas ganhas pelo PSD

“Não tinha ilusões: para alguns membros do PS, foi uma maneira amável de se verem livres de mim.”

Sobre a sua candidatura presidencial, em 1986, para a qual partiu em desvantagem

“A Marinha Grande é do povo, não é de Moscovo.”

Depois de ter sido agredido na Marinha Grande durante a campanha para as presidenciais, 14 de janeiro de 1986

"Esta é a vitória da tolerância, esta é a vitória da liberdade!"

Discurso de vitória nas presidenciais de 1986

“Serei o Presidente de todos os portugueses (...) A partir de agora vou depor o meu cartão do PS e só o recupero depois de deixar de ser Presidente.”

16 de fevereiro de 1986

“É o nabo mais inteligente que conheço.”

Sobre Vítor Constâncio, seu sucessor como secretário-geral do PS, futuro governador do Banco de Portugal e vice-presidente do Banco Central Europeu, citado em O Independente, 4 de novembro de 1988

“Tenho uma ideia de e para Portugal.” 

Debate com Basílio Horta, adversário nas presidenciais de 1991, na RTP

“Sou uma pessoa naturalmente conciliadora e dialogante. Como tal, negoceio até poder, com paciência, boa-fé, persistentemente. Mas quando me convenço que a situação está bloqueada e sinto que não é possível avançar, quando me vejo encostado à parede, então, luto. Luto até ao fim, sem tergiversações. Porque sou também, como sabe, um homem de convicções e de carácter, que conhece bem o caminho que deve percorrer. Como se viu - contra o fascismo, o marcelismo, o gonçalvismo e por aí fora...”

"Soares", de Maria João Avillez (1997)

"Querem atirar abaixo o herói de uma revolução? Toda a gente acha sempre o que quer, mas os gajos que têm de decidir têm de decidir por aquilo que pensam. Poderia eu achar – sendo eu um homem do 25 de Abril, sendo grato aos homens que fizeram o 25 de Abril – que deixava o Otelo ficar na prisão, apesar das suas asneiras?"

Entrevista a Joaquim Vieira, em 2011, para o livro "Mário Soares - Uma Vida"

“Procurei exercer, de forma discreta, aquilo a que chamei ‘uma magistratura de influência’, conversando em privado com todos os agentes políticos e sociais, ouvindo-os e tentando, na medida do possível, influenciá-los.”

"Um Político Assume-se", de Mário Soares (2011)

“Resolveram-se, sem barulho, imensos problemas que pareciam insolúveis.”

"Um Político Assume-se", de Mário Soares (2011)

“Eu sou uma pessoa impoluta, sou um homem que toda a vida fez política não por dinheiro.”

Debate com Basílio Horta, adversário nas presidenciais de 1991, na RTP

“Ó sr. guarda, desapareça… Não queremos polícias!” 

Para o guarda da GNR que lhe fazia escolta, Presidência Aberta na Área Metropolitana de Lisboa, fevereiro de 1993

“Não lhe posso dizer que, como toda a gente, não sinta por vezes o impulso da vaidade. Mas, sinceramente, penso que ela não é o meu principal defeito. Tenho, isso sim, pequenas vaidades: usar uma linda gravata, vestir um fato com um corte especial, ouvir os meus amigos dizerem-me certas coisas simpáticas. Mas suponho que não tenho aquele tipo de vaidade impositiva e incómoda para os outros: nunca me tomei excessivamente a sério, nem nunca me vi como alguém de excecional.” 

"Soares", de Maria João Avillez (1997)

“Sempre fui particularmente sensível aos encantos femininos: as pernas, os cabelos, a voz, os olhos… Às vezes, quando estava já em cheio metido na política, num elétrico ou num cinema, via uma mulher que me agradava e perguntava a mim próprio: que ando eu a fazer nesta vida, a tentar salvar o mundo, desperdiçando oportunidades tão mais interessantes?” 

"Soares", de Maria João Avillez (1997)

"A Maria de Jesus sempre me acompanhou com compreensão e tolerância. Não direi com agrado; ela gostaria que eu fosse mais caseiro. A maneira inteligente de preservar o casamento é que cada um aceite o outro tal como é e não o queira à sua imagem e semelhança. O amor, quando não é apenas o puro egoísmo da satisfação dos sentidos, não é senão isso mesmo: uma forma superior de compreensão e aceitação!”

"Soares", de Maria João Avillez (1997)

“Por muitos anos que viva, nunca poderei agradecer suficientemente a Marcelo Caetano ter-me expulsado de Portugal.”

"Um Político Confessa-se", de Mário Soares (2011)

"Nunca tive a intenção de ter uma luta com o PCP. Pelo contrário. Sempre pensei que seria possível fazermos uma frente de esquerda. Mas quando me apercebi que o plano do PCP era 'comer' o PS, isso não."

Visão, maio de 2013

"Não tinha dúvidas que era preciso vencer o Partido Comunista em Portugal."

Correio da Manhã/Rádio Clube Português, setembro de 2008

"O que a troika faz é ganhar o seu dinheirinho. Como é possível, que haja uns tecnocratas que decidem sobre o nosso futuro e as pessoas não se sentem, patrioticamente, vexadas por nós estarmos a ser um protectorado da troika?" 

Maio de 2012

"O Guterres, que tem todas as qualidades que eu já lhe atribuí, e que é um homem muito estimável, de uma seriedade absoluta, é um homem que não sabe dizer não a ninguém. Porque gosta de ser amado e portanto faz tudo para ser amado."

Correio da Manhã/Rádio Clube Português, setembro de 2008

“O Presidente da República tem feito tudo para proteger este Governo, que considera legítimo, mas não é verdade que o seja. Quando o povo, que é quem mais ordena, se manifesta praticamente todos os dias contra um Governo que elegeu com base em falsas promessas, que ignora a Constituição da República, não pode nem deve ser considerado legítimo.”

Maio de 2013, na abertura do congresso das esquerdas

"Eu sou um europeísta federalista e acho que deve haver um Governo europeu e que deve haver símbolos europeus. Não há por timidez, por cobardia, por falta de coragem."

Correio da Manhã/Rádio Clube Português, setembro de 2008

"A vida dos meus filhos não foi fácil, no plano emotivo, devido à vida politicamente agitada que sempre tive.” 

"Soares", de Maria João Avillez (1997)

"Agora basta, não haverá mais política nem exercício de cargos políticos."

Discurso do jantar do 80.º aniversário, em dezembro de 2004

“Vítor Gaspar é um fanático neoliberal.” 

Diário de Notícias, 11 de junho de 2013

"Veio, entretanto, a ser eleito Aníbal Cavaco Silva, membro do partido de Sá Carneiro, depois de ter sido salazarista convicto no tempo da ditadura."

Janeiro de 2015, no artigo de opinião que assinava semanalmente no Diário de Notícias

"Fiquei desiludido com o discurso brando com que [António José Seguro] anunciou o desacordo e deixou algumas portas abertas para uma nova discussão."

Em entrevista ao i, em julho de 2013, sobre o então líder do PS depois de este rejeitar o compromisso de salvação nacional proposto por Cavaco Silva na crise política do verão de 2013

"A 'vitória' do PS, infelizmente, foi uma vitória de Pirro... Isto é: que não devia ter sido aclamada com o entusiasmo com que o seu líder o fez."

Em maio de 2014, depois das eleições europeias que acabaram por desencadear, no PS, o desafio por António Costa à liderança de António José Seguro

"Têm feito uma campanha contra ele que é uma infâmia! Não é a comunicação social, são os tipos que estão por trás dela. Um homem é feito como se fosse um malandro e nem sequer foi a tribunal. Pois claro que é um caso de política. Ele é um homem digno e nem sequer foi julgado."

A 26 de novembro de 2014, à saída de uma visita a José Sócrates no estabelecimento prisional de Évora

"Nunca tantos portugueses se manifestaram a favor de Sócrates, estando ao mesmo tempo indignados pelo que lhe aconteceu. (...) Como se tem visto em inúmeras visitas que, de Norte a Sul, lhe têm feito, com enorme carinho. Valha-nos isso. E o juiz Carlos Alexandre que se cuide...”

Fevereiro de 2015, num artigo de opinião no Diário de Notícias

 

Aproximar-me de Deus? "Isso nunca me veio à cabeça!"

Em fevereiro de 2015, en entrevista ao jornal i

Fonte: Observador

 

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